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Piroseiras lamechas

por FS, em 02.08.17

Há músicas que se ouvem e ficam no ouvido, seja apenas pela melodia que nos afaga a alma ou pela voz do intérprete que nos faz arrepiar a derme. E nalguns casos, nem prestamos bem atenção à letra.

O meu mood de hoje (algo melancólico e com tristeza, mas finita) levou-me a tropeçar na letra desta...

Está lá muita coisa que eu lhe queria dizer... e até tem a caçadeira... o pai é que não tem a voz do Seu Jorge (infelizmente...)

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Big mother is watching you...

por FS, em 06.03.17

A R teve uma visita de estudo ao Porto. Excursionista devota como é, viveu intensamente o antes, o durante e o depois, como é seu hábito.

Nós, tranquilos, observámos e respeitámos a sua forma de viver o momento, e confiámos em pleno no profissionalismo e responsabilidade dos adultos que seguiam com eles.

Às 10 horas da manhã, recebo um e-mail dirigido a vinte e tal pais com o seguinte texto "recebi SMS da professora e chegaram às 9h57 ao museu... estão todos bem!" Uma mãe muito pró-activa tinha decidido partilhar a informação com os restantes. Simpático, pensei.

Pouco depois do meio-dia recebo um outro e-mail, desta vez informando que "saíram agora do museu e vão almoçar... não chove muito no Porto e a viagem de barco pelo Douro começa às 14h30... estão todos bem." Aqui começo a pensar que já é demais, talvez... ou sou eu que sou muito desligado?

Mas o terceiro e-mail, recebido por volta das 15 horas, a comunicar que "os nossos meninos estão no meio do rio Douro!!!", deixou-me perplexo!

Deixou-me perplexo e com uma data de questões por responder na cabeça. A saber:

- Esta necessidade de saber dos "nossos meninos" é pura preocupação parental ou é uma mistura de querer reviver tempos passados e de viver a vida deles?

- Saber, a toda a hora, se eles estão bem numa mera visita de estudo é normal ou é uma forma de demonstrar falta de confiança na responsabilidade de quem os acompanha?

- Saber que a minha R se sentiu indisposta, estando ela a 120 quilómetros de distância, vai-me tranquilizar de alguma forma?

- Se a minha R tivesse algum problema durante a visita, e tendo a professora o meu contacto, não me ligaria ela a informar?

- Quais as consequências, para eles e para nós, desta superprotecção? Serão eles, no futuro, adultos mais seguros e tranquilos?

- E para terminar este veneno matinal... Coitada da minha mãe, que nunca recebeu um e-mail nem um SMS com a actualização em tempo real de como corriam as visitas de estudo à 30 anos... Como é que ela sobreviveu, e eu, sobreviveu a isso????

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Ora cá está mais uma vez, aparentemente, que este país só funciona no horário de expediente! De segunda a sexta, das 9h às 17h, a coisa vai andando... fora disso, "temos pena, mas tem de voltar noutra altura"!

Que os 2 chilenos e o luso-israelita consigam fugir da prisão de Caxias, eu ainda engulo. Fico a pensar que não estamos (e ainda bem) habituados aos Ronaldos e Messis do crime, e que somos "tenrinhos" na matéria.

Acontece, e aceito, principalmente justificado pela falta de experiência em lidar com este tipo de gente (como por exemplo, alegadamente, apagar as luzes das torres na mudança de turno dos guardas, talvez para ajudar a equilibrar o orçamento do Ministério da Justiça).

Agora, senhores, esperar por segunda-feira para emitir um mandato de captura internacional?!

Mas achavam que os senhores iam querer ficar por cá?! Ou era uma espécie de repatriamento low-cost e self-service que tinham em mente??? 😁

E por causa de uma inépcia e incompetência administrativa, o trabalho de quem andou no terreno, os apanhou, os levou a tribunal e os deu como culpados, vai por água abaixo...

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Obrigado a todos...

por FS, em 20.02.17

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Caros senhores Trump's da vida, hoje falo-vos da Salomé!

Tem trinta e poucos anos e nasceu em Cabo Verde. Tem dois filhos adolescentes que também residem em Portugal, com a mãe.

É uma pessoa bem disposta, alegre por natureza, que trabalha que nem uma moura e se desfaz para que os filhos não passem pelo que ela passou.

Pessoalmente, tenho a agradecer o amor e o carinho com que tomou conta do meu filho mais novo, o S, até ao ano de vida. A forma maternal com que andou com ele colado às suas costas, seguro por panos, como ela fez com os seus, não me sai da cabeça (e a cara do S, descansado, seguro e satisfeito, a dormir naquela posição).

E desde a passada sexta-feira, a Salomé é cidadã portuguesa. Está felicíssima da vida, porque se sente mais segura de ter a hipótese de poder vir a dar uma vida melhor aos filhos.

E nós ficámos radiantes pela sua felicidade! Porque ela (e outros) merece a hipótese de ter uma vida melhor.

Obrigado a todos vós (nós) que são este país, por terem aceite, através das nossas instituições (SEF), a nossa Salomé como cidadã portuguesa... vocês não imaginam como a deixaram feliz e como mudaram a vida dela!

Bem hajam!

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Vintage, mas não tanto...

por FS, em 19.02.17

Sempre adorei peças com história e com estórias. A proporção das duas é indiferente, desde que tenha "vida" e/ou tenha sido "vivida".

E gosto, não apenas para estarem em exposição ou numa redoma de vidro mas, para lhes dar uso e como forma de respeitar a função para que foram criadas e não as deixar morrer. É a minha forma de respeitar e prestar tributo ao trabalho dos designers (e se notarem uma ponta de inveja no meu discurso, têm razão, porque há! 😁).

Mas gosto mesmo tanto disso que a recuperação de algumas peças se transforma em pequenos projectos pessoais de "manualidades". Peças que por si só preenchem um espaço vazio, principalmente numa moldura contemporânea e algo minimalista. Peças que enchem a vista, que fixam o nosso olhar e nos deixam a mente curiosa por tempo indeterminado.

E o vintage agora está na moda. Tão na moda que abusam dele, coitado.

Se formos ao dicionário, e ignorando o seu significado vitivinícola, vintage quer dizer apenas "objecto antigo de grande valor"... claro que o valor que damos aos objectos é subjectivo, mas agora parece que tudo é vintage, porra!

Nas minhas pesquisas nos sites de leilões e de vendas em segunda mão aparece cada coisa com a etiqueta "vintage", que até dá dó... Ouçam, senhores, kitsch pode ser vintage, mas nem todo o kitsch o é! Usem antigo, velho ou mesmo kitsch! Assumam! Também há mercado para isso!

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Dia de natação do S, o que implica mau humor matinal daquela criatura.

Mal vê os calções de banho em cima da cama para vestir, entra em desespero, diz que não gosta e que não quer ir. Volto aos meus argumentos de sempre, talvez demasiado racionais para uma criança de 6 anos: "mas tens de aprender a nadar para poderes ir para o mar no Verão... a mana é mais velha e também vai à natação" (mal sabendo ele que ela também não gosta...).

Aprofundo o tema e tento saber o porquê, para o qual recebo a resposta de ser uma seca e implicar "meter a cabeça debaixo de água". Sinto-me encurralado por este caminho, pois é inevitável ter água e cabeça molhada na natação... 😁


Mudo de estratégia e lembro que no final costumam fazer jogos e brincadeiras com as esponjas, e que isso até é divertido.


- Mas o Jó (professor) nem sempre faz, pai...


- Porque se esquece, S. Tens de o lembrar... pede-lhe para fazerem um jogo no final. - ataco.


- Mas tenho vergonha, pai...


Não diria que aquele personagem teria vergonha para pedir fosse o que fosse, mas acredito que aquele professor, um armário de quase 2 metros, tenha um ar intimidante apesar de saber que tem um óptimo coração e muito jeito para os miúdos. Não desarmo...


- Se não pedires, não acontece... se falares, pode acontecer que tenhas o que queres!


Clássico, o discurso, eu sei. Até o poderia fazer para mim próprio todos os dias, acreditem. Mas foi precisamente por isso que me fez ainda mais sentido, porque não quero que sejam inibidos como o pai... quero que aprendam a lidar com os outros de igual para igual, sempre com respeito.

 

(...)


Nove horas depois, pergunto como correu o dia ao pequeno "Phelps das Beiras" (estou a gozar, claro, mas o meu tom irónico é bastante apurado).


- Muito bem, pai! Fizemos um jogo no final da piscina... - e desata a relatar o jogo com as esponjas, e como este e aquele fizeram isto e aquilo. - e, pai, fui eu que pedi! - acrescenta, inchado de orgulho.


- A sério?! Boa! - e começo eu a inchar.


- Respirei fundo, enchi-me de coragem e perguntei se não podíamos fazer um jogo no fim... e o Jó disse que sim!

 

F*d*-se, há dias que um gajo pensa "vale a pena! Vale mesmo a pena cada minuto...!"

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Happy Valentines' day, baby...

por FS, em 14.02.17

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Nunca liguei a estas datas... sempre as achei ridículas. Ainda mais esta, dado que o dia do amor deveria ser sempre que se quisesse (isto na impossibilidade de ser todos os dias)!

Acresce que hoje vai ser impossível fazer seja o que for fora de portas dada a quantidade de "amor" e "paixão" que irá transbordar por esse mundo fora, ainda por cima com gosto duvidoso na maior parte das vezes... E esta avanlanche de amor cria problemas logísticos, inflaciona preços e tira o "mood" seja para o que for, logo, mais uma razão para deixar para outra data!

Mas o que me deixa verdadeiramente nauseado não é o kitch e o mercantilismo da paixão e do amor (sentimentos tão nobres e dos quais não prescindo para viver), mas notícias como esta que surge, novamente, hoje no Diário de Notícias.

 

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Não sei como reagir à notícia: se fique contente porque há mais denúncias; se chore porque a violência nas relações continua a manter o seu espaço nas gerações mais novas.

E pergunto a mim mesmo quantos dos casalinhos que hoje vão comemorar o amor, estão a viver situações destas. E acontece mesmo ao nosso lado...

Exagero da minha parte? Não, não é... A semana passada almocei com uma colega de trabalho com quem empatizo muito, mas com quem nunca tinha falado do lado pessoal das nossas vidas. A meio da conversa diz-me que o marido a convidou para irem jantar no dia de S. Valentim, mas que não tem vontade de ir. Que vive um filme de terror em casa, mas adianta logo "Francisco, não pense que é violência doméstica... calma!" Mas termina com, "(...) e ele pediu-me para retirar a tatuagem que tenho com o nome da minha filha mais velha (fruto de um anterior casamento)".

Esperem! Parem tudo! Como é? Pedir a uma mãe que "apague" e afaste uma filha não é violência? É, senhoras e senhores, é sim... É um comportamento selvagem e primário, longe do processo evolutivo a que, supostamente, a nossa espécie esteve sujeita. Os leões quando assumem o liderança do grupo matam as crias do seu antecessor... este não mata, mas quer que uma mãe mate a ligação e a cumplicidade que a une a una filha...

Mas o Dia de S Valentim, esse, temos de ir jantar fora, querida...

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Leituras

por FS, em 11.02.17

Falava com a T porque, com o tempo e a chegada dos filhos, tínhamos perdido os hábitos de leitura.

E uma das minhas preocupações era o facto da nossa R também não os ter... e essas coisas também se aprendem em casa, com os exemplos. E a T surpreende-me com um sorriso, a fugir para o riso.

 

 

- O que foi? - perguntei.

- Mas a R lê... e mais do que nós juntos!

- Como? Só a vejo de volta da bola de futebol, da raquete de ténis e de tudo o que implique movimento...

 

E a T explicou-me tudo... a R lê na sala de aula, durante a própria aula, no tempo "morto" que medeia o momento em que termina os exercícios e a altura em que a professora faz a correção!!!

Wow! Wtf! Lmfao! (e outras coisas que me passam pela cabeça!) Genial!!!

E acham que não dá para ler muito? Desenganem-se! Numa semana, por exemplo, foi o primeiro do Harry Potter! E a média é de 2 livros por semana (de aulas)!

 

A minha filha não é sobredotada, não... é apenas inteligente, despachada e boa aluna. Mas também é uma óptima gestora do seu tempo!

Inveja, miúda, é o que o pai sente, neste momento! :) Inveja e (mais) orgulho... Ensina o pai a fazer essa gestão de tempo, por favor!

 

PS - próxima reunião com o chefe vou fazer o mesmo... e com os tempos mortos que costumam ter, ainda vai o "Guerra e Paz"! Tenho é de ir para a "carteira" do fundo!

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Back

por FS, em 10.02.17

Tenho resistido a voltar... Não sei bem porquê, confesso. Por coerência com o que disse, talvez por mágoa, ou por querer manter algumas coisas privadas de leituras alheias...

Ao longo deste tempo tenho lido a escrita dos outros e visto o registo de visitas e leituras d'o-que-interessa-é-viagem. E este último parece um pequeno electocardiograma... duas a três leituras diárias, apesar de estar "morto" há mais de meio ano...

E de repente dei por mim a ler as minhas "estórias", a reviver o prazer que me deu em escrevê-las, e a pensar no quão terapêutico foi.

E mais vale ser também coerente com o que se sente, e não apenas com o que se diz...

À mágoa, resta-lhe apenas aprender a conviver comigo, que eu já aprendi a viver com ela e a evitá-la (um dia saberei enfrentá-la)...

E às alheias leituras (apenas as menos desejadas) resta-lhes também... sei lá, "aguentarem-se à bronca" tal como eu faço?...

Por isso, I'm back... (a bit) in black (com o gás dos AC⚡ DC!)

 

See you soon, in a theatre near you

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iLUMINAdo...

por FS, em 11.09.16

Para quem não sabia, tal como eu, ainda tem o dia de hoje para aproveitar a quinta edição do Lunima, o festival que tem levado cores e luz à vila de Cascais.

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Acabei por saber por acaso, e porque as vicissitudes da vida me levaram para os lados de Sintra, dei uma espreitadela, por entre a multidão que enchia a vila.

Na minha opinião (que vale o que vale), há de tudo, mas o melhor está na zona da cidadela e do parque, de onde saliento a performance "Dança dos candeeiros" e "Open your eyes", esta última pelo conhecido O Cubo.

Merece a visita hoje, no último dia... Se não gostarem, há sempre a Santini para fazer valer a pena a viagem...

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(As fotografias estão uma desgraça, mas acho que máquina nenhuma consegue captar o brilho daquelas cores na noite de Cascais)

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