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Ontem um jovem de uma das equipas que coordeno foi pai. Momento único na vida de qualquer pessoa.A vida muda bastante, quer queiramos, quer não.

 

Ainda assim, a fase de trabalho que esta equipa atravessa é complicada, e lembrámo-nos de ir buscar um reforço a outra equipa mais desafogada, pelo menos para estes 10 dias de licença parental.

Como qualquer "boa casa" gerida por jovens septuagenários feitos a pulso, nada se faz sem o consentimento superior.

Ora, sabendo disto, eu e a chefe dessa equipa fomos fazer a proposta ao chefe.

 

- Pois, hoje o João foi pai... - informo.

 

- Parabéns! Realmente temos de lutar contra o envelhecimento da população. - responde com um sorriso genuíno no rosto.

 

- Pensámos em ir buscar alguém a outra equipa, porque não vai estar nos próximos 10 dias. - continuo.

 

E automaticamente paro o discurso com a mudança súbita no semblante do chefe. Bicos da boca para baixo, como dizia a R quando era mais pequena. E sai-lhe a seguinte pérola:

 

- Dez dias? Mas porquê?! O rapaz é que vai amamentar a criança?

 

Ora, eu poderia agora tecer aqui toda uma dissertação acerca do momento em questão, enumerar uma série de argumentos em relação a direitos laborais adquiridos ao longo de gerações e gerações, e inclusivamente abordar o tema da importância da parentalidade e da felicidade dessa condição... Mas não vos quero maçar com o óbvio, apenas lembrar que "eles*" continuam aí.

 

 

* "eles" - com esta denominação, o autor pretende referir-se a uma série de pessoas que parecem ser indiferentes ao que se passa ao seu redor, excepto quando lhes toca a eles ...um género que deveria estar extinto há pelo menos 2 gerações, mas que continua a gerar espécimens nos dias de hoje, altivos na sua postura e magnânimes nas suas doutas e acertadas convicções chauvinistas e ultrapassadas.

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7 comentários

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De Miss Fox a 17.02.2016 às 14:37

a mente de algumas pessoas parou no tempo e não evoluío com o avançar dos tempos e quanto a isso não há muito a fazer...
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De FS a 17.02.2016 às 17:56

A única coisa a fazer, Dear Miss Fox, é continuarmos a fazer as coisas de acordo com os ditâmes dos nossos princípios e valores... Os cães ladram...
;)
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De FS a 17.02.2016 às 18:26

Mas sabes que pior do que ouvir isto da boca de alguém daquela geração é perceber que nas gerações mais novas este pensamento ainda se mantém... Isso é que me deixa desesperado...
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De Anónimo a 17.02.2016 às 17:30

O pai não tem direito a criar laços com o filho. A apreciar os primeiros e mais maravilhosos dias, em que tem a bênção de poder ter nos braços o fruto do seu amor e a sua continuação no mundo! Deixando-se de parte os genes e que um dia os filhos hão-de cuidar de nós, que isso é outra patetice. Que cuidem deles e tenham uma melhor vida que nós tivemos, é o que se deseja. Há por aí muita gente entristecida por dentro. Vazia de sentimentos e em cuja cabeça se fundiu a última lâmpada que ainda iluminava alguma coisinha. Ainda bem que hoje os pais também podem "gozar" os filhos, não os dias de paternidade que são tão poucos. A meu ver deviam ser alargados isso sim?
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De FS a 17.02.2016 às 18:00

São valores de vida diferentes... Desactualizados, no ponto de vista...
Pequenez de pensamento...
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De na primeira pessoa do singular a 17.02.2016 às 17:45

e presumo que lhe explicou que não são só 10, que há mais, certo? ou teve medo " deles"?
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De FS a 17.02.2016 às 18:23

Não, não disse, mas porque nem me lembrei... Confesso que nem sei se o rapaz não pede para partilhar a licença de maternidade...
Mas os meus (2 filhos€ nunca ficaram desamparados por medo deles... Nem hão de ficar. Só custou a primeira vez. E paguei a factura que tinha de pagar (desconfiança), todinha. Se faz de mim pior ou melhor pessoa ou pior profissional? Não, não faz. Se me faz sentir mais feliz? Fazer parte da vida quotidiana dos meus filhos faz! (Veja a tag miúdos)
Obrigado pelo comentário "eu"

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