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Igualdade... O papel dos pais

por FS, em 08.08.15

Li aqui, há uns tempos, um post muito interessante acerca da "ajuda" do pai nas tarefas e responsabilidades da casa e da família (devia ter adicionado aos favoritos, mas não o fiz por preguiça... Agora, lamentavelmente, não consigo deixar aqui o link...). Mas resumidamente refutava o conceito de "ajuda" por parte do homem, remetendo para aquilo que deve acontecer, que é a partilha e a divisão de tarefas entre ambos.

Não podia concordar mais! Concordo e sou praticante devoto dessa maneira de estar. E não é por nenhuma questão em concreto... É só porque assim é que deve ser numa sociedade que se quer democrática e igualitária entre pessoas, mais do que entre homens e mulheres! Sim, porque o mesmo princípio vale para os casais homossexuais... Vale para todas as relações entre pessoas!

Mas para não fugir ao que quero dizer neste post, volto aos casais heterossexuais, que é a minha experiência. Assusta-me que este nosso (dos homens) comportamento tendencialmente machista (conceito diferente do de "masculino" - não confundir as coisas, por favor) se perpetue no tempo, e se mantenha vigente no nosso século.

Quando era era adolescente, no século passado (porra que estou a ficar velho), já este machismo me incomodava, provavelmente porque ter sido criado por 2 mulheres, por partida prematura de pai (e o que sou hoje devo-o a ambas, a mãe e a irmã, esta última 7 anos mais velha do que eu), mas pensei que se desvanescesse e desaparecesse com as novas gerações. Mas, para meu pasmo, não. No caso extremo (mas que no meu ponto de vista revela a existência - ou mesmo abundância - de comportamentos machistas "mais leves", já que quem faz o mais "grave", faz concerteza o mais "leve"), quando vemos estatísticas em relação à violência dentro das relações, apercebemo-nos que a percentagem de casos é elevadíssima, e que começa muito cedo!

Eu, pessoalmente, fico chocado com isto: como é que um miúdo com 15 ou 16 anos se sente no direito de agredir, física ou psicologicamente, a pessoa que diz amar! Ou seja, a "coisa" começa cedo, e em jeito de conclusão deste parágrafo, parece que socialmente não estamos a conseguir "resolver" esta questão! (E como aviso para os pretendentes ao amor da minha filha R: sofrerás em dobro pelas minhas próprias mãos aquilo que lhe fizeres! Nem que eu esteja já a cair da tripeça ou de cadeira de rodas! Ouviste???)

E cheguei ao ponto que queria: os paizinhos dos meninos, os futuros homens e mulheres, e a educação, exemplos e valores que lhes transmitem!

O post que referi ao início fala de homens e mulheres crescidos, adultos, mas como diz o povo "ramo que nasce torto, tarde ou nunca se endireita"! Não será bem assim, é certo, mas quanto mais tarde mais difícil será de endireitar. Por isso, e na minha humilde opinião, os exemplos que damos em casa são fundamentais para educar na partilha e no respeito mútuo, independentemente do género, da idade e relação social.

E penso que os "pecados originais" nesta questão não são difíceis de corrigir.

Ao pai cumpre assumir o seu papel com orgulho, obrigando o seu "macho" mais novo a perceber que viver em comunidade (leia-se família) tem direitos e obrigações com peso igual para todas as partes! Às vossas pequenas "princesas" dêm o exemplo do que é amar em plenitude de partilha. Que há homens que amam envolver-se nas pequenas rotinas chatas da sua "tribo", e que acham que esse seu envolvimento é fundamental. E que esses mesmos homens, apesar de lavarem a louça, cozinharem, fazerem camas, levarem os filhos à escola e não faltarem às actividades da escola, são fortes, másculos e sensuais.

Às mães cumpre... porra, cumpre não estragarem os filhos rapazes com mimos, fazendo-lhes todas as vontadinhas só porque são os seus meninos queridos! Façam aos vossos filhos aquilo que gostavam que as vossas sogras tivessem feito aos vossos maridos e/ou companheiros!!! Acabar com este ciclo depende muito de vocês mulheres-mães!!! E às vossas filhas, mostrem que o maior amor da vida é aquele que partilha o bom e o mau (ou menos bom) da vida... E que isso é que é um Homem... E que elas, como mulheres e pessoas, não se podem contentar com nada menos do que isso...

Apre, tenho dito... (E que a vida me dê forças para cumprir estas minhas palavras...)

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6 comentários

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De Nay a 14.08.2015 às 11:02

Sabes o que que me faz uma certa urticária??
É o uso da palavra "ajuda" ... uiii daria um belo debate ;)
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De FS a 14.08.2015 às 11:25

A mim também me dá essa tal urticária com a palavra "ajuda"... Principalmente quando ouço amigos meus dizerem que "ajudam bastante lá em casa" (ou pior, elas a dizerem que "eles ajudam muito"). Mas a casa e a família não é deles também?!
Eu não ajudo nada, confesso (if you know what I mean)... Sou terrível! ;)
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De Nay a 14.08.2015 às 11:31

Opa exactamente... alguém que me perceba :D
E o pior é o ar de contentamento delas e o de orgulho deles quando dizem essas coisas!!
What?!?!!?
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De FS a 14.08.2015 às 11:44

Nay, mas há mais a pensar como nós... Felizmente!

E o tal post de que falo estava muito bem escrito e ia nesse sentido.

Eu só quis acrescentar uma coisinha mais: é que esse comportamento masculino não está inscrito no cromossoma Y, aprende-se! E aprende-se, como quase todas as coisas, por modelamento com os pais. Por isso cabe-nos a nós (pais) ensinar os nossos filhos através do bom exemplo.

E aí, correndo o risco de ser mauzinho, a maior parte das mães dá "tiro no pé" da sua condição feminina: criam verdadeiros, e eternos, meninos da mamã!

Os pais, por seu turno, deviam fazer com que as usas filhas, quando mulheres, não se contentem com nada menos do que um companheiro de partilha de tudo! Mas partilha, não "ajuda"...
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De Nay a 14.08.2015 às 11:55

Nem mais... "partilha" é tão isso!!!
Mesmo com uma "modelagem" menos boa pelos pais, quando nos tornamos adultos temos capacidade de raciocínio para saber que algo não está bem...temos sempre oportunidade de mudar.
Mas noto que muitos continuam a agarrar-se à velha máxima "sou como sou, quem não gostar não come" quando é certo e sabido que a mudança está ao alcance do nosso querer.
Já dizia Lavoisier " Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" Inclusive o ser humano ;)
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De FS a 14.08.2015 às 12:15

E a máxima do evolucionismo devia ser mais eficaz nesta questão: quem não evolui e não se adpata, morre e desaparece. Mas estes hábitos ainda perduram, infelizmente...

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