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O trauma alemão

por FS, em 16.07.15

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Devem ter bastantes, como todos os povos (nós na Tuga temos o do "o que vem de fora é que é bom", por exemplo), mas "levei" com este durante a minha estadia em Berlim.

Não é a minha praia como turista, mas tive de picar alguns pontos, nomeadamente em relação à história alemã do século XX. Levava algumas referências em relação a locais a visitar, sendo que um deles era acerca dos judeus e à chamada "solução final". Acontece que não tomei nota do nome deste local, mas apenas fixei o que a minha fonte de informações sentiu quando lá esteve: uma visita um pouco mais experencialista, procurando retratar o encarceramento daquelas pobres almas nos guetos, campos de concentração e, mais do que provável entrada nas câmaras de gás.

Mas não me lembrando do nome, e havendo pelo menos 3 locais especificamente ligados ao holocausto e aos judeus alemães, decidi perguntar num deles (na "Topografia do Terror"). Dirijo-me ao balcão de informações e uma jovem de sorriso simpático recebe-me pronta a ajudar-me. Puxo do meu melhor inglês (que o meu alemão está ligeiramente acima de zero) e pergunto-lhe, estúpida e inocentemente:

- Ouvi dizer que há um museu em Berlim onde podemos experienciar a sensação de entrar numa câmara de gás... Sabe-me dizer qual é?

Bom, mas o que é que eu fui perguntar?! O semblante da minha interlocutora alemã muda repentinamente para o mais cinzentão possível e profere as seguintes palavras, num tom ofendidíssimo:

- Desculpe mas hoje em dia na Alemanha não encontra nenhuma câmara de gás!

Graças a Deus, minha senhora! A Deus e aos aliados, começando pelo Sr Churchill, que em 1933 já tinha topado a pinta do "tio Adolfo"! Ainda assim, e se ainda as houvesse, a Sra Merkel e o Sr Schäuble estariam concerteza dispostos a enviar para lá os senhores Tsipras e Varoufakis, para lhes fazer umas judiarias, não?

Mas no fundo parece-me que é este o sentimento geral do povo alemão quando confrontado com a "solução final" de Hitler e Himmler: vergonha desse passado e medo do possamos pensar deles por isso. Mas descansem, o generalíssimo Franco foi um filho-da-mãe mas não caracteriza o povo espanhol, nem o professor Salazar é um bom exemplo do que é ser português.

Bom exemplo são as pessoas simpáticas, educadas e prestáveis que já encontrei, e é este grupo de jovens alemães à minha frente que, sob orientação da sua professora parecem falar precisamente sobre isso no memorial do holocausto.

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