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Revolucionários virtuais

por FS, em 06.07.15

Eu acredito que todos nós temos um pouco de revolucionários na nossa alma. Uns mais do que outros, é certo, mas todos temos. Alguns até têm algo de Che a correr nas veias, e esses respeito, por muito que não concorde com as suas ideias, porque dobram as mangas e fazem algo pelas suas paixões.

Mas ao escrever isto, contra mim falo, que sou um pequeno burguês que transpira inércia por todos os poros, mas assumo-o, não embandeiro em arco com as minhas pequenas acções e tento ver o que posso efectivamente fazer para deixar o mundo melhor.

O que me faz confusão ("faz-me espécie", como se diz na minha zona) é o orgulho que alguns têm na prática de um certo tipo de "activismo" cibernáutico. E não falo de hacking, que esses sim, arriscam ir presos por atacarem as fraquezas e injustiças de uma sociedade com tendência a despersonalizar-se, e a tornar-nos em meras sequências de zeros e uns. Falo dessa grande forma de luta que é... Mudar a foto de perfil no Facebook!

Sim, essa mesmo! Há duas semanas a moda era colocar a foto com os tons das sete cores do arco-íris, numa forma de mostrar empatia pelo orgulho gay. Desde o final da semana passada, é a bandeira da Grécia! Pelo amor da santa, senhores, a vida não é um concurso de "likes"... E provoca-me algum formigueiro saber que alguns dos que o fizeram, não são capazes de argumentar e defender as suas posições quando necessário, e na vida real. São submissos. Fazer a diferença não é mudar a foto de perfil, é falar nas coisas e mudar mentalidades, nem que seja uma de cada vez! Racionalmente argumentar e mudar a forma, nestes dois casos, dos heterossexuais de direita verem o mundo e os direitos individuais... E mais uma vez, contra mim falo, que sou heterossexual e de direita.

É que toda a sociedade só tem a ganhar com a pluralidade e diversidade de pensamento (e uma ideia se não fôr verbalizada e posta em prática, é só uma ideia!). É uma regra de ouro do evolucionismo (e eu a dar-lhe com o Darwinismo): quanto mais diverso o grupo fôr, maior a probabilidade de se adaptar às mudanças do meio e de vingar como um todo!

E por favor, para a próxima não me deixem a argumentar sozinho com o "bota de elástico" do chefe, ok? Ele grita e amua, mas não come ninguém!

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O pior de todos os sistemas...

por FS, em 05.07.15

Winston Churchill disse-o, e Sérgio Godinho cantou-o. Sim, parece incrível, mas dois homens nos antípodas das ideologias político-partidárias proclamaram a mesma coisa, que a democracia é o pior de todos os sistemas, com a excepção de todos os outros.

E é verdade, mas ainda assim pode ser melhorado. Pode ser mais justo. Pode ser mais "do povo, pelo povo e para o povo"! Pode deixar de ser uma partidocracia e passar a ser uma democracia mais real. Pode ser mais integradora das pessoas no dia a dia comum.

Como? Simples, tornem as pessoas mais responsáveis por quem está no poder executivo e legislativo. Deixem que sejam as pessoas a escolher quem elegem, e não os partidos nas suas listas fechadas. Façam com que cada círculo eleitoral eleja um, ou no máximo 3 nomes. Que eu possa votar na pessoa X, na pessoa Y e na pessoa Z, mesmo que sejam de partidos diferentes, mas desde que as considere as mais aptas para me representar, parece-me justo. Não quero é que o meu voto ajude a eleger o número 3 da lista do partido B, mesmo que eu não goste do seu trabalho.

Utopia? Sim, é. Já abordada por várias vozes, encontra sempre resistência forte, logo pelos partidos políticos. Os grandes temem perder o controlo das suas máquinas partidárias e deixar de ter a sua hegemonia no clientelismo e tráfico de influências com o poder económico. Os pequenos argumentam que dessa forma deixam de conseguir eleger os poucos deputados que tém. Aos primeiros, nem sequer respondo, porque o que é público é meu também e não tolero que o considerem apenas dele. Aos segundos lembro que da mesma forma que têm algumas câmaras municipais da sua côr partidária, cuja eleição se baseou no reconhecimento das qualidades dessas pessoas por parte dos eleitores, também o conseguiriam fazer para a Assembleia da República.

Pelo menos, o meu boletim de voto seria colorido, teria várias cores partidárias, mas todas seriam escolha minha e não imposição de terceiros. E eu iria pedir-lhes satisfações pelo seu desempenho...

 

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Dava-lhe jeito...

por FS, em 04.07.15

Fomos a uma festa em casa de uns amigos, ao fim da tarde. Gente boa e honesta, no sentido de serem pessoas fiéis aos seus valores, sinceros e despretensiosos, para além de bons amigos. O ambiente estava bastante agradável e os convivas, ainda algo desconhecidos para nós, eram maioritariamente upper class das avenidas novas de Lisboa, simpáticos, educados e com boa conversa.

 

Na animação da festa, sujeita a um calor intenso, alguém tem uma quebra de tensão e desfalece, ainda que sem perder os sentidos. Felizmente nada de grave aconteceu e alguns copos de água com açúcar mais tarde, tudo já não passa de uma memória menos boa para quem a viveu na pele.

 

Desviamo-nos para o varandim mais próximo para fumar um cigarro, e juntamo-nos a um personagem que já se havia destacado no meio da multidão, pelo seu porte de metro e noventa, com pomposo ar altivo e forma caricata de pegar no seu cigarro de mentol, como se os seus dedos fossem pinças e tivesse receio que o borrão alastrasse de forma descontrolada pelo cigarro.

 

- Foi uma resposta vagal... - atira, assim do nada.

- Desculpe?... - respondo.

- Aquilo de há pouco, foi uma resposta vagal. - reforça.

 

Sim, foi, assim como esse seu comentário, diz a minha cabeça: vagal por pertencer ao âmbito do vago, do pouco concreto e objectivo! Até lhe digo mais (em pensamento), essa reacção do nervo vago a que se refere, conhecida pelo comum dos mortais como desmaio, é um shut down (e perdoe-me o anglicismo) do nosso corpo em casos de ameaça, como a hipotensão. Um mecanismo adaptativo numa perspectiva evolucionária, dado que permite que o nosso corpo fique numa posição horizontal, facilitando o afluxo de sangue ao cérebro. Não é perfeito, porque a queda é imprevisível e podemos magoar-nos, em particular na cabeça, mas ainda assim é funcional.

 

- Aparecem-nos muitos casos destes lá nas urgências do hospital de... - acrescenta.

 

Ok! Percebi agora o comentário! Passou da ideia vaga(l) ao concreto: apresentou-se, fazendo questão de especificar a profissão e o, suposto, inerente estatuto social. Havia outras maneiras, sabe?

Olhe lá, um pouco de humilde no meio dessas peneiras todas é que não há, pois não??? Pena... Dava-lhe jeito na sua profissão, sabe...

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Aventuro-me por estes caminhos traiçoeiros, mas ando com esta teoria aqui "atravessada". Sou obcecado com padrões e semelhanças, e há uns tempos reparei em algo que é comum a todos os países da UE que tiveram, oficial ou dissimuladamente, de ver as suas economias resgatadas: têm todos uma enraizada cultura católica ou ortodoxa! Sempre se falou nos países do Sul da Europa, mas a Irlanda fica bem longe do Mediterrâneo, e a coisa não é bem assim. Não acreditam?! Então vamos lá enumerá-los: Portugal, católico; Irlanda, católica; Grécia, ortodoxos; Espanha, Católica! E estes são os denominados PIGS, fora o resto: Chipre, ortodoxo; França, católica; e Itália, católica. Já acreditam? (e calma lá com os cavalos, que isto não é para culpar padres nem o Vaticano). Mas porquê? Ora, aí está uma boa pergunta, para a qual não há propriamente uma resposta, mas apenas eventuais teorias. A minha (teoria) está relacionada com a cultura dos povos, que foi sempre moldada pela religião predominante. O catolicismo e o ortodoxismo baseiam-se mais na submissão a Deus e aos seus emissários terrenos do que as outras religiões cristãs saídas do movimento da Reforma. Por tradição somos mais feudais (com senhores e servos da glebe) e tementes da ira divina do que os europeus do Norte, calvinistas, luteranos e anglicanos. Somos mais subservientes. E não é só conversa barata: com a Reforma Protestante, são introduzidos mecanismos de fiscalização na própria Igreja, como instituição; as pessoas da comunidade passam a ser chamadas para opinar acerca das leis; nenhum poder é deixado nas mãos de uma só pessoa; etc. Do ponto de vista evolucionário, essas instituições estão melhor adaptadas ao mundo de hoje... E como dizia Darwin, quem não se adapta, desaparece. Mas uma coisa é certa, os "gajos" não têm a nossa calma, o nosso sol, o nosso presunto, a nossa gastronomia nem o nosso vinho! Nem o Ronaldo!!! Tomem lá!

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As minhas novas amigas

por FS, em 03.07.15

As minhas colegas de esplanada voltaram. Começo a nutrir uma certa empatia com este grupo de avós e, algumas seguramente, bisavós.

Falam da vida delas no presente, e não num pretérito imperfeito saudosista. Do alto dos seus 70 e 80 anos falam do que ainda vivem e experienciam.

Isto também é saber envelhecer... Amadurecer em casco de carvalho, encorpar e ficar mais aromático, em vez de oxidar e azedar.

Minhas senhoras, mais uma vez, ajoelho-me a vossos pés...

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Mais espesso do que a água

por FS, em 02.07.15

Fui buscar a R ao fim do dia e acabei por encontrar a mãe de uma antiga colega dela, que não via há bastante tempo.

Acabámos por ficar algum tempo a falar sobre as nossas filhas e as respectivas escolas, conversa que reflete o eterno medo da maioria dos pais em relação a essa escolha. A conversa terminou no S, e comigo a explicar que ponderávamos seriamente deixá-lo completar os 6 anos em Dezembro antes de ir para o primeiro ano.

Já no carro, a caminho de casa, noto a R muito pensativa e, mais estranho ainda, calada.

- Princesa, o que foi? - pergunto-lhe.

- Estava a pensar que se o S apanhasse a minha professora, era óptimo... Ela é tão meiguinha e óptima professora. Ia conseguir dar-lhe a volta, pai.

E incho! Incho que nem um sapo por ver que apesar das lutas, das competições sistemáticas entre os dois, de dividirem com uma linha imaginária a respectiva zona do banco de trás do carro, de chamarem o outro de chata ou tótó, há esta compaixão.

Babo-me porque neles vejo que irmãos continuam a ser irmãos, passem as gerações que passarem.

A viagem termina e não resisto a todas as memórias que correm pela minha cabeça, e pego no telefone.

- Estou?... Mana?... Olha, tinha saudades vossas...

E o sangue há-de ser sempre mais espesso do que a água...

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É assim que gosto dele...

por FS, em 02.07.15

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Bastante soalheiro, a estimular a hipófise a aquecer o coração...

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