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Carta a Garcia (versão revista)

por FS, em 14.10.15

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Deve ser uma das parábolas preferidas dos chefes e dos muitos profetas/pregadores da motivação no trabalho que proliferam por aí: a "Carta a Garcia".

Para quem não a conhece, resumo aqui. Durante a guerra Hispano-Americana, o presidente McKinley incumbiu um tenente norte-americano, de seu nome Rowan, de entregar uma mensagem ao líder rebelde cubano, o tal do Garcia. Ora, conta a história escrita Elbert Hubbard, que parece que o tenente Rowan nem perguntou onde nem como podia encontrar o destinatário da carta, tendo pura e simplesmente metido pés ao caminho e, sem colocar entraves e criar dificuldades à sua tarefa, entregue a missiva. Um verdadeiro exemplo de proactividade, abnegação em prol da tarefa e de "fazer parte da solução e não do problema".

Até aqui tudo muito bem. Eu aceito e concordo. A maior parte das vezes as dificuldades estão na nossa cabeça, e as que não estão só na nossa cabeça não são ultrapassadas se não tentarmos.

 

Agora a parte que eu não compreendo, ou pelo menos questiono é: será que o presidente McKinley perguntou ao Tenente Rowan, depois deste ter entregue a carta, se ele tinha ido por Havana, Santiago de Cuba ou mesmo se tinha ido a banhos em Varadero? Duvido que o tenha feito... Se houvesse alguma especificidade em relação à entrega deveria ter sido dita, não? "Ó Sô Tenente, não vá a Havana e evite os Mojitos de Varadero!", por exemplo...

Se assim é, porque é que a maior parte dos chefes e gestores (que tanto gostam desta história para motivar as suas equipas) deste país têm de opinar sempre em relação à forma como nós entregámos a carta ao Sô Garcia?! Há sempre qualquer coisa que nós, pequenos Rowans, não fizemos bem. Não estavam lá para avaliar a situação é tomar uma decisão, pois não? Resolvemos a coisa da forma que considerámos melhor. Não fizemos as coisas como o chefe faria? Não, não fizemos... Porque cada um de nós é diferente e avalia as situações de forma diferente. Mesmo entre nós, meros serviçais, quem é que as faria exactamente de forma igual à do "colega lacaio? Provavelmente ninguém... Haveria sempre algo diferente. Mas o que interessa isso? A carta não foi entregue? Se o chefe quer eficiência na entrega, isso é diferente, chefe... Para isso preciso de diálogo e de recursos para planear.

Para a próxima mandem-lhe um e-mail, porra...

 

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